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miércoles, 28 de abril de 2021

Performance A Partitura Sinthoma.

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A Partitura Sinthoma é uma versão do Seminário XXIII de Lacan e, ao mesmo tempo, não é. É o catálogo de uma amostra, de uma performance, e ao mesmo tempo não é. O autor é o próprio Jacques Lacan e às vezes ele não é. Mesmo forçando apenas a idéia, é um livro e não é. Quem ainda não está suficientemente informado sobre os destinos extraordinários dos textos em geral e, em particular, da obra lacaniana, pode se surpreender com essas primeiras linhas.

Ricardo Rodríguez Ponte, psicanalista argentino, traduz para o espanhol, numa versão crítica, minuciosa e comparativa, a transcrição do Seminário Le sinthome de Jacques Lacan, psicanalista francês, dedicado à obra de James Joyce, escritor irlandês. Dora García, artista espanhola, produz um experimento admirável sobre as relações entre palavra, voz, escrita, tradução, imagem, som e dança no Museu Reina Sofia, em Madri, na Espanha, entre os meses de março, abril e maio de 2018, intitulado Segunda vez que é sempre a primeira, uma performance que produz e reproduz o livro A Partitura Sinthoma.

Tentando simplificar este quebra-cabeças fenomenal e da perspectiva da psicanálise, este livro é uma tradução - ou uma pluritradução- do Seminário XXIII para um tumulto sistemático de línguas que compõem uma partitura com a qual interpretar os textos lacanianos a cada vez.

O exercício performativo daqueles meses no Reina Sofia, conjurou o aqui e agora dos leitores com o eterno presente da escrita, ao lado da leitura em voz alta, a narração, a dança, a música, as ilustrações, as fotografias, os espaços, objetos, os sujeitos: um performerimplicado lê fragmentos de uma classe de Le sinthoma, enquanto um segundo executa uma coreografia incomum seguindo os desenhos previamente feitos por García.  A voz recupera o protagonismo que teve no curso dos seminários de Lacan, cujos textos são as versões escritas de suas lições, nas quais sua voz fica sepulta. E com isso seu tom, sua cadência, sua ênfase, seus desmaios, seus silêncios, suas interrupções, sua cor, sua temperatura e sua interação afetiva com um futuro público. Tudo adquire um sentido teatral ou musical.

As partituras são sempre interpretadas depois, porque a interpretação sempre vem "depois" da partitura, mas ao mesmo tempo elas são sempre interpretadas pela "primeira vez" porque cada performance é sempre diferente, outra, a cada vez. Foi assim que Dora García pensou num mecanismo que leitores, releitores e tradutores usam o tempo todo toda vez que pegamos um texto intimamente.

Essa versão do Seminário de Lacan foi realizada ao vivo, em grupo, com performers e performados, de maneira igualmente coletiva e laboriosa, mesclando a leitura com a releitura, e ambas com a escrita; intuição com a formulação e verificação de hipóteses de interpretação; a análise das relações internas entre as diferentes partes do texto com as relações que mantém com outros textos que lhe estão relacionados ou com os quais está ligado; a interpretação com a tradução e assim por diante. Trabalho que também dá a palavra novamente à palavra, porque a fala, a leitura e a narração permitem que todas essas diversas atividades interajam e se conectem umas com as outras no coletivo que as realizou. O texto funciona como uma partitura, e leitura e tradução como interpretação.

Ricardo Rodríguez Ponte, junto com muitos psicanalistas e tradutores, dentro da Escuela Freudiana de Buenos Aires, lidaram generosamente para construir uma comunidade de leitores em torno dos textos de Jacques Lacan, numa teimosa resistência a qualquer tentativa de clarificação definitiva das trevas e os múltiplos meandros de uma obra e sua difusão.

A Partitura Sinthoma é um livro. É uma versão do Seminário XXIII de Lacan sobre a versão crítica: estabelecimento, tradução e notas de Rodríguez Ponte e é o catálogo de uma performance de Dora García que nos convida a "ler" Lacan lendo Joyce, mais uma vez.
                                                   

                                                       Carlos Marcos

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Habitando el sentimiento lingüístico nombrado en El malestar en la cultura, nos adentramos en los instersticios de la traducción EN psicoanálisis, intentando real-izar el pasaje de una lengua a otra, en transferencia con la obra de Freud y Lacan. Nuestro trabajo transita la experiencia del (des)encuentro de las lenguas Traducción visual: animación de Nico Mobi; música original Pengy SoundCloud

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"Mi teoría de la traducción, en abstracto, es: “Todo es traducible porque nada lo es”. En ese punto, me siento borgiano. Los idiomas son inconmensurables. Eso es lo ideal. Dos idiomas son dos modos de concebir el universo" (Ricardo Rodriguez Ponte, Lapsus Calami N4)

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